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29 jul 2011

Nelson e o estupro em Joaçaba

Autor: Max em Textos

Nelson sempre foi um cara quieto, na 5ª série conheceu uma garotinha que lhe chamou a atenção desde o primeiro dia de aula. Ele se apaixonou. Nelson, um nerd apaixonado.

Durante os 6 anos seguintes, Nelson fez de um tudo para ficar sempre perto de sua amada, subornava o estagiário da secretaria da escola todo santo ano, para que ficasse na mesma classe que ela. Ele diz que não, mas todos dizem que ele até repetiu de ano para ficar na mesma classe dela.

Nelson nunca falou mais que 2 ou 3 palavras com seu amor, que nessa altura já era considerado por ele um amor platônico. O seu recorde de relacionamento com ela aconteceu quando, por um equivoco do destino, Nelson chegou atrasado na aula e a professora Neide o colocou no grupo dela. Foi um pânico só, Nelson suava frio e gaguejava qualquer palavra dissilábicas.

Dias atrás, Nelson acordou com um mal estar, sentia uma coragem estranha – eu sei, coragem não causa mal estar, mas lembrem-se que estamos falando de Nelson, um nerd apaixonado – e tomou o que pra ele era a decisão mais importante da sua vida. Aceitou o convite do seu primo Felipe, para ir a uma festa ali no bairro.

Entrar na festa foi difícil, afinal, seus 16 anos e 3 meses não eram suficientes para convencer o segurança, mas seus 20 reais na carteira eram.

Já dentro da festa, Nelson entendeu o porque do mal estar sentido na manhã daquele dia. Lá do outro lado do salão conseguiu enxergar a resposta. Lá estava ELA! Quase sozinha, dançando, com um sorriso lindo, que só ele poderia cativar…

Tentou se aproximar e trocar algumas palavras, mas a música alta e a tremedeira de sua perna esquerda atrapalharam totalmente a sua investida. Voltou ao bar. – Que Porra!, disse ele em voz alta, Felipe, me dá alguma coisa pra beber! Felipe que já estava mais pra lá do que pra cá, passou-lhe um copo de vodca. Nelson então tomou coragem. Ou melhor, tomou vodca.

Sentiu algo queimando dentro dele, mas como nunca havia bebido nada mais forte do que uma Pepsi com 3 calorias de limão, imaginou que toda aquela nova sensação, aquele calor, aquela vontade de gritar, era mais um sinal de que aquela era a sua noite. Virou já meio cambaleado, para onde estava sua Julieta – vamos chamá-la assim, por hora – mas não a encontrou.

Nelson não se chateou, nem desanimou. Era pura coragem, em apenas 17,0% de teor alcoólico. Caminhou por todo o salão, se escorando quando podia, era muita gente, música alta, fumaça de cigarros Derby e de maconha. Chegou perto de um aposento que parecia ser uma lavanderia, não deu muita atenção, andou mais 3 passos e chegou ao banheiro.

Empurrou a porta com o ombro esquerdo e o com a cabeça, dasabotoou o botão da calça, e antes que pudesse puxar o ziper para baixo viu a cena que nunca iria esquecer. Julieta, semi nua, meio ‘molenga’ fazendo sexo com dois outros caras. Não parecia feliz, mas também não esboçava nenhuma reação negativa. Nelson calou-se. Ficou ali por poucos segundos e saiu.

Com o ziper ainda por abrir caminhou até a saída da festa, depois caminhou até a esquina, caminhou até sua quadra, caminhou até a sua casa. Todo o caminho se fez calado, não se ouvia nada além do arrastar dos seus passos. Entrou em casa e foi até a garagem.

Lá Nelson pegou um pé-de-cabra e subiu até o quarto dos seus pais. Começou com 3 golpes em seu pai, seguido de outros 4 em sua mãe. Saindo do quarto cravou a ferramenta em seu cachorro, que dormia ali pelo corredor. Desceu as escadas, caminhou até seu quarto, logou no msn e, em homenagem ao seu cachorro, colocou uma rosa na frente do seu nick.

Foi preso 5 horas depois. Na penitenciária, virou mulherzinha de Nestor, um assassino perigoso, passou 12 anos sendo seu escravo sexual, fizeram-lhe uma tatuagem na nádega esquerda, um golfinho entre as ondas do mar. Mal desenhado, mas uma gracinha. Todos os 137 presos daquela cela conheciam.

Hoje Nelson é pastor da Igreja Evangélica, e todos os dias, no seu sermão, prega contra o uso de preservativos, e deseja que todas as pessoas morram de doenças venéreas. Amém.

Nunca mais pensou em Julieta. Mas lembra-se do golfinho todos os dias.

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